O ato de escutar música é para muitos um momento especial, pois pode trazer diversos sentimentos à tona ou simplesmente relaxar. Independente do propósito, cada música é uma jornada que pode ser aproveitada em diferentes níveis. Vamos explorar abaixo algumas possibilidades e entender como é possível aproveitar cada música ao máximo.

Ouvir ou escutar?

Existe uma diferença entre os dois termos e aqui vou apenas esclarece-los para que seja possível iniciar nosso raciocínio da maneira correta. Nada de discursos acadêmicos, só uma definição rápida em respeito à música.

Ouvir: refere-se ao sentido da audição, ou seja, a nossa capacidade de captar sons diversos que serão codificados e interpretados por nosso cérebro.

Escutar: ouvir com atenção, ou seja, ter foco em um ou poucos elementos sonoros com o objetivo de compreender e interpretar da melhor maneira possível.

Nesse ponto você já sabe que a melhor maneira de aproveitar a música é escutando, correto? Vamos em frente.

Mas antes das dicas de como escutar uma música e aproveita-la ao máximo vale pontuar algumas das funções que a música pode ter em diversas situações.

A música ambiente

Presente em diversos locais e estabelecimentos, a música ambiente pode ter algumas funções:

Equilíbrio emocional: em locais como salas de espera de clínicas, por exemplo, a música ajuda o paciente relaxar e manter o emocional mais equilibrando, fazendo com que a passagem do tempo ocorra de maneira mais agradável. Normalmente a escolha para esse caso são músicas que não possuam grande variações de dinâmica, sendo mais homogêneas e neutras.

Rítmo e atenção: muito comum em lojas de departamento, a música ambiente normalmente é escolhida por estilos com andamentos médios a exemplo do pop e techno. Isso faz com que os clientes mantenham-se ativos dentro da loja e atentos aos produtos.

Preenchimento sonoro: muitas vezes a música ambiente também é executada ao vivo e isso é algo comum em bares e restaurantes. Mas mesmo quando a execução é por meio de caixas acústicas, a função dela nesses estabelecimentos é preencher sonoramente o local. Isso ajuda os clientes a terem mais privacidade nas conversas, uma vez que a música ao preencher o local faz com que o cérebro foque sua atenção em uma única fonte sonora, no caso a conversa.

Bem-estar: muitas vezes utilizamos a música como uma forma de proporcionar boas sensações ou lembranças. Você certamente já lavou a louça, estudou, praticou esporte e outras atividades enquanto ouvia música, correto? Isso porque aquela música seria agradável naquele momento ou serviria como um fator emocional de motivação. Nesses casos, também utilizamos a música em segundo plano, não percebendo assim todas as suas nuances.

Estes são apenas alguns exemplos para demonstrar que nós também ouvimos músia (ao invés de escutar). Isso porque nos casos citados acima a música não é o centro da atenção, pois ocorre de maneira secundária.

O ato de escutar música

Agora que compreendemos a diferença entre os momentos em que ouvimos e os momentos em que escutamos música vamos falar do foco principal desse texto, que é o ato, a ação, a atividade de escutar uma música sendo ela o centro de nossas atenções.

Para isso, vou colocar abaixo algumas etapas apenas para fins didáticos, pois não existe uma regra ou receita especial que fará com que seus ouvidos degustem o máximo possível e imaginável de uma música.

Já que falamos em degustar, vale dizer que existe uma semelhança entre ouvir música e apreciar um bom alimento. Pense numa culiária específica, num prato muito bem feito, uma slow food talvez. Ao comer, você percebe os sabores, diferentes temperos, texturas, cheiros e isso torna a sua experiência muito rica.

É claro que existem muitas músicas no estilo fast food por aí, mas vamos focar no escutar como uma experiência semelhante ao slow food, e acredito que isso ajude a ilustrar bem o que estou prestes a propor a você. Então vamos lá.

1. Fones ou caixas acústicas?

 aTalvez esse tópico pareça um tanto óbvio, mas acreito que seja necessário investirmos um tempo mínimo aqui apenas para ter certeza e garantir o sucesso das nossas próximas etapas. 

Antes de escolher sua música é muito importante saber que o lugar em que você irá escuta-la não influenciará negativamente em sua experiência. Estou falando aqui de ruídos diversos que podem tirar o foco de sua atenção e atrapalhar toda a jornada musical.

Sendo assim, se o local é um pouco barulhento seria uma boa optar por bons fones de ouvido. Eles farão um bom papel ao eliminar algumas frequências e ruídos indesejados e ajudará você a manter o foco. 

Caso você não tenha esse problema e a música seja executada em seu rádio ou outro sistema de som, certifique-se de que o volume não é excedente. Volumes muito altos podem tirar seu foco de atenção em alguns picos da música, acredite. Então o ideal é que utilize um volume médio.

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2. Níveis de percepção

À partir do momento em que você já estiver relaxado, com seu aparelho de som ligado ou fones no ouvido e sem distrações, esteja pronto para perceber alguns fatores importantíssimos na música. Entenda que você pode escutar a música de maneiras diferentes, mas aqui a minha missão é lhe ajudar a perceber a música em sua totalidade.

Podemos chamar essas maneiras diferentes de escutar música como “níveis de percepção”, que nada mais são do que o resultado de seu estado consciente e foco de atenção. Quando você escuta música como uma atividade secundária, seu nível de percepção é baixo e muitas vezes relativo.

Nesse caso você percebe a música principalmente pelo que ela proporciona a você emocionalmente, mas não a compreende como proposta artística e estética a ponto de poder analisa-la e compreende-la em sua totalidade.

É importante dizer aqui que esses níveis de percepção podem ser alterados em segundos, passando da atividade primária para a secundária, mas o principal agora é manter o nível mais alto de percepção durante toda a execução musical. Não quero lhe cansar com toda uma teoria sobre níveis de percepção musical, aguente só mais um pouco, pois vamos concluir logo mais abaixo.

Então, para que nossa experiência dê certo, precisamos combinar que a música terá toda a sua atenção. Sei que para alguns é difícil manter o foco por algum tempo, mas é só uma questão de treino e fazer isso ouvindo música é muito mais agradável, concorda?

3. Estrutura da Música

A estrutura da música também é algo muito importante, pois é nela que está “codificada” a mensagem ou proposta estética. Ou escutar, tente identificar e compreender os seguintes pontos:

  • Introdução.
  • Partes A, B, C, etc.
  • Refrão.
  • Intermezzo ou passagem instrumental.
  • Solo.
  • Outras possibilidades…

Após isso, talvez numa segunda vez que escutar, perceba:

  • Melodia principal (pode ser na voz ou instrumento solista)
  • Harmonia
  • Timbres
  • Instrumentos (se há violão, baixo, xilofone, bateria, flauta, etc.)

Pronto para uma terceira audição? Então tente perceber como todos esses elementos se relacionam e se completam, formando a música em si e a tranformando em algo único.

4. Olhos abertos, olhos fechados

Você já deve ter observado que algumas pessoas escutam música com olhos abertos, outras com olhos fechados ou então em alguns momentos fecham e em outros abrem os olhos. (Calma, não irei criar aqui regras de comportamento para suas pálpebras com justificativa em alguma teoria maluca, só farei uma observação).

Cada um escuta música do seu jeito, mas vale uma dica. Se você se distrai facilmente com estímulos visuais então é melhor, para o bem de sua experiência musical, que escute a música com olhos fechados. Deixe que a música crie a história e as imagens em sua mente. Sua viagem será muito mais válida e assim você evitará perder algum detalhe importante na música porque seu gato ou cachorro amado passou correndo na sua frente.

Uma outra vantagem de escutar música com olhos fechados é que sua audição instintivamente ficará mais aguçada. Nosso corpo é muito inteligente e ele compensa a supressão de um sentido aguçando outro e a boa notícia é que você pode usar isso a seu favor, conscientemente. Permita-se.

5. Experimente sem preconceitos

Estamos quase chegando lá, mas antes e ainda a tempo sinto que preciso falar de algumas amarras possíveis que podem prejudicar sua experiência. Entenda apenas como uma precaução para que tudo ocorra bem, pois falar de preconceitos é sempre delicado, eu sei.

Nas suas próximas experiências musicais e na medida em que for aprimorando sua maneira de escutar música, busque também experimentar outros estilos que talvez não façam parte do seu gosto atual. Essa é uma experiência muito válida e que pode lhe trazer excelentes surpresas. 

É normal ter um pouco de receio (ou uma opinião pré-concebida) ao experimentar algo novo. Nós seres humanos somos no geral muito territoriais e acabamos nos acostumando com uma série de coisas que nos trazem bem-estar e segurança. Isso é normal, somos assim, mas também somos curiosos e nossa mente na realidade tem fome de conhecimento. 

A dica aqui é a seguinte: quando for experimentar (ou degustar, se preferir) uma música nova busque perceber a obra sem barreiras, ou seja, permita que seus ouvidos simplesmente experimentem o som, sem pensar se é bom ou ruim nos primeiros segundos. Entenda a mensagem da música contida nos timbres, melodias, harmonias e letra.

Aperte o play

O mais importante, antes do play, é você compreender que a experiência musical é algo único, que traz muitos benefícios e é totalmente sua. Então relaxe, o tempo é seu, sinta-se bem e aproveite ao máximo.

A jornada musical sempre pode trazer novidades. Pense naquele lugar que você visitou, no percurso que fez você chegar lá e que lhe fez sentir tão bem que desejou voltar mais uma vez. Na sua segunda visita foi possível perceber novos detalhes e obter novas experiências? A música também é assim.

Espero poder ter auxiliado no modo como você escuta música e contribuido para que suas próximas jornadas sejam ainda mais intensas e cheias de boas surpresas. 

Boa audição.

Alexandre Iervolino

Alexandre Iervolino

Compositor e arranjador

Sócio-proprietário da Som de Gaia, atua como guitarrista e compositor.

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